quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O dia não vai amanhecer





Ah! Quantas bobagens falo, até mesmo quando rezo...
Rezo agachada no banho por medo que meu corpo nu me despeitar diante da presença de um Poder Superior. 
Não me reconheço quando estou em potência febril; carência contagiante que embriagava hoje alguém que aprendeu a ser só, o que se tornou ironia grotesca, pois passei longos anos de minha vida procurando por alguém que tivesse olhos como os teus, que falam comigo quando fecho os meus. 
Então escuto; assim somos possíveis; passiveis de nos tocar; sou quista por você que me devora inteira em minha ânsia de ser real; de tanto querer, acabo por acreditar que está o tempo todo ao meu lado...     Você não partiu na nuvem cruel como a um mortal... 
Está aqui, olha como posso te tocar? Está aqui como jamais estivera em tempo algum, angustiado pela ilusão de que quando o dia amanhecer; tudo voltará como era antes... Não seja tolo! Sou capaz de inventar mundo diversos que não possuam dias e noites, apenas nós dois... Com um único e primordial propósito – tê-lo um pouco mais. Não precisa temer, o dia não vai amanhecer.
Não pode me ouvir!
Os sons que faço na mente são em tom baixo; uma musicalidade quase muda aos significados de tantas palavras... Elas não servem a você, que dança lindamente ao som de seu mundo inventado por esquadros e compassos.

Jamais tive a intenção tola em jogar seus vasos de plantas bem cuidadas ao chão, cuspindo nelas por desprezar aquilo que me afasta do seu mundo; cada qual colecionando a sua dose de ilusão para atravessar mais um dia.
Estamos tão submersos neste experimento, que não podemos sequer tocar a realidade; esquecemos de tudo; de onde viemos; quantos dentes perderam-se ao longo da vida; das promessas falsas feitas no calar de uma escuridão - foi necessário para esconder as mentiras dentro de cada um.
 O que precisamos fazer para sobreviver? - apenas um segundo a sós... Para sermos apenas por um segundo – “Nós!”
Não se sinta só em um mundo incompreensível, estou contigo; sem compreender; como a existência de uma obra sem nome, sem um autor, sem direitos autorais; apenas sei que ela existe e faz diferença em minha vida.
Não sei se posso te fazer feliz; tudo está sendo válido agora; podemos sentir! Esta será a nossa sentença; sem entender aquilo que nada cobra de nós. Existe; é belo.
Quero e posso viver este momento; com ou sem o seu consentimento, pois no fim do dia voltará para mim, como pernas que possuem vontade própria sem obedecer a razão, você voltará, arrastado por seu desejo escondido... Não me entrega as chaves, porque sabe que não as devolverei.
Não é você que não consegue me ouvir; sou eu, que não consigo dizer as palavras certas que alcançarão o seu querer, quase uma incógnita; algo que me causa arrepios de horror, febre e decadência. Sou um ser mudo que não dito ao menos regras capazes de lhe trazer a mim pela obediência egocentrada de tudo que acredito ser possível, quando na verdade; nunca existiu deste mundo algo que achei possível nos receber; não cabe nele, os traços compulsivo deste pensamento alado, você não iria entender a minha dor; iria rir quando eu chorasse te pedindo para ficar, colocando seus pés entre os meus seios que me dariam a falsa impressão de que o manteria seguro; quando na verdade, era eu quem precisava de segurança por medo de vê-lo se dissipando no ar, dissolvendo em mil nadas que não conseguiria reconstituir; trazendo-o de volta como se pudesse me fazer feliz, enquanto o dia não amanhece. 


Texto e criação do autor, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria



*****



CANTINHO DO NOVO AUTOR

Apresentando FERNANDO SOARES
"Poeta Brasileiro"
pela parceira editora Ophicina  & Arte


A poesia de Fernando Soares é sem aspas. Nua e crua, como diziam os antigos. No entanto, romântica, sem queixas, sem dor explícita. Sem parênteses. Direta e amável. Esta é a palavra correta para descrever sua escrita – amável, dentro do tom. Pois há momentos em que grita. Na hora adequada. Assim:

Não há chaga aberta
Cicatrizes, decerto
Nem mágoa, nem júbilo
Dor, se há, só implícita
Vive a alegria, explícita,
No sorriso rútilo
No olhar esperto
Na palavra direta


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2 comentários:

Marcelo Lima disse...

Intenso e forte como todos os textos incriveis da Adriana , não conhecia o livro. Quero ler!OMG EU QUERO TUDO !

Maggie May disse...

eu já tentei me definir em palavras proprias mas não as encontro, só me encontro em palavras alheias...

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