sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um sonho a mais








O que fazer, quando chega a madrugada e o sono não vem... A mente não cansa no desabafo contínuo de percorrer, nem se for arrastando, o sonho que imagino saindo dos olhos dele, quando nascer, olhando-me, como se fosse um filho... O sono não vem quando se tem um sonho aflito na presença do mundo que não vai parar para ele nascer.
Não sei o quanto as pessoas se importam; cada um com os seus moinhos de ventos, talvez, fazem-se o mesmo questionamento, apenas sei que estou com este sentimento atravessado na garganta a ponto de me fazer sufocar.
Meu sonho hoje não é banal. Pessoas me elogiam; empurram-me para frente; chacoalham-me para não desistir quando insisto em desanimar; com um “up”, me levantam; enfim... Pergunto-me – Onde estou errando?
Sei somente que o dia todo, vivo; respiro, alimento-me do sonho o qual me inspira.
Cansei de desistir no meio do caminho de tantas outras coisas que eram importantes, mas por me sentir derrotada, dava sempre um passo para trás, e por medo de enfrentar o resultado, recolhia as armas da batalha, e desmontava o acampamento. Somente os fortes são vencedores.
Estou aqui agora, sem saber nada sobre o futuro. Não penso nele porque não consigo imaginá-lo, mas sei que no presente em que me encontro, minhas mãos estão vazias do resultado e cheias de ânsia involuntária.
O túnel que percorro é escuro e a visão é turva. Abandonei tudo que me tirava o tempo que preciso para a dedicação de meu projeto. As pessoas me chamam de louca, evito ouvi-las. Se eu tiver que decidir um dia em deixar algo que quero por conta da busca pela a aceitação das pessoas, prefiro morrer sem tomar um último copo d'água diante da sede arrebatadora, pois se assim o for, de uma gota, se quer desta água serei digna. Não sei morrer se não for com a bandeira do meu sonho nas mãos.
Se amordaçarem a minha boca e nenhuma palavra se traduzir, a não ser, através do coração... Se amarrarem os meus braços, e eu perder o movimento e a força... Se minhas pernas atarem e eu não poder mais correr ou, ao menos caminhar, em busca do meu sonho... Se tirarem meu coração, e ele não poder mais pulsar e no último suspiro eu clamar sem poder ser ouvida... Sei que renascerei, se estiver escrito o meu sonho em algum lugar, em alguma página um dia lida, mesmo que amarelada, por alguém, por um filho, um neto, um leitor que ainda não nasceu...
Sei apenas que preciso seguir em frente, com a única certeza - a de que apenas preciso prosseguir.
Não sei viver, e nem morrer, se não for do mesmo modo – escrevinhando...


Adriana Vargas 

 


Texto e criação do autor, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria.

7 comentários:

renatocinema disse...

Belo texto. A noite prefiro viajar.....nas ideias e na reflexão.

Um brasileiro disse...

OLÁ. TUDO BLZ? ESTIVE POR AQUI. LEGAL. APREÇA POR LA. ABRAÇOS.

J.C.Hesse disse...

Muito legal querida.
Abraços,

Ordem do Saber disse...

Muitos desistem de seus sonhos ao passar da vida, o que é triste.
Outros também podem fazer nós desistirmos disso. O que é igualmente triste.
A vida pode fazer nós desistirmos dos sonhos, o que é triste também.

Desistir dos sonhos, é sempre triste.

Um bom final de semana.

Ahtange disse...

Muito bom!!!
Como tudo que você escreve. Bjos!

Fanzine Episódio Cultural disse...

Lágrimas de Areia

Lá estava ela, triste e taciturna.
Testemunha de efêmeros conflitos,
Com um olhar perdido no tempo,
Não exigia nada em troca
A não ser um pouco de atenção.

Sentia-se solitária, oca,
Os homens admiravam-na pelos seus dotes.
As crianças, em sua eterna plenitude,
Admiravam-na muito mais além...
... Mais humana!

De sua profunda melancolia
Lágrimas surgiram.
Elas não umedeceram o seu rosto,
Mas secaram o seu coração,
O poço da alma,
Aumentando cada vez mais
A sua sede.

Lá ela permaneceu; estática, paralisada!
Esperando que o vento do norte a levasse
Para bem longe dali!

O dia começou a desfalecer.
Seu coração, outrora seco e vazio,
Agora pulsava em desenfreada arritmia.
Desespero!
A maré estava subindo...

Em breve voltaria a ser o que era:
Um simples grão de areia.
Quiçá um dia levado pelo vento,
Quiçá um dia... Em um porto seguro.


Do livro (O Anjo e a Tempestade) de Agamenon Troyan

Mari Scotti disse...

Muito bom, parabéns! Cada vez mais seus textos me surpreendem Adriana.

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