domingo, 26 de agosto de 2012

PARTICIPANDO DE UMA BIENAL Primeira Parte

A semana passou, a última bienal de SP terminou e o que eu gostaria de fazer aqui é compartilhar um pouco de minhas experiências esperando que elas sejam úteis, especialmente aos marinheiros de primeira viagem como eu. As duas Bienais do Livro, a do Rio e a de São Paulo, não menosprezando os demais eventos existentes pelo Brasil afora, são uma excelente oportunidade para apresentar seu livro para uma gama de leitores ávidos e críticos. Ou seja, é a melhor vitrine para um lançamento. A divulgação pela net é algo se faz todos os dias e é um trabalho de formiguinha mas ali é onde você encontra uma multidão que valoriza e deseja aquilo que você está oferecendo: o livro. Como foi o meu primeiro evento e eu não manjo nada de nada, decidi traçar alguma estratégia. Nunca participei como escritora mas faz anos que participo como leitora. O que eu gostava e o que eu não gostava? Obviamente eu gostava de brindes, promoções e de coisas diferentes, como os cosplays. Geralmente fugia da abordagem direta mas não repudiava uma atenção deliberada. E normalmente me sentia curiosa em relação aos autores, especialmente aqueles cuja leitura havia me proporcionado bons momentos. Estabeleci na ponta do lápis meu investimento e organizei para que 50% do lucro previsto fosse gasto em divulgação. Mesmo que a meta de vendas não fosse alcançada, e eu imaginava que não fosse alcançada já que estava levando 200 livros, ao menos a meta de divulgação o seria. Se você está iniciando como eu, ou seja, se apenas seu gato, seu papagaio e sua mãe conhece de fato o seu livro, então acredito que você possa levar uma média de 120 livros. É claro, se você for um escritor-vendedor então leve os 200. Com certeza você irá conseguir vendê-los, ao abordar aquela profusão de gente. Continuando com minha estratégia decidi fazer algumas sacolas personalizadas, marcadores de livro, camisetas de divulgação e levar alguns doces além do Cosplay da princesa que julgava ser o mais divertido para o futuro leitor. Estabelecida a abordagem fui atrás dos preços. Esta bienal estava funcionando como meu evento de lançamento, já que não fiz nenhum, então estava disposta a fazer o evento divertido também para mim. Eu venho de uma família de pequenos comerciantes. Uma coisa que sei é que além da lábia, da exposição existe sempre o fator sorte. Eu, infelizmente, não herdei a lábia de meus parentes. Restava-me investir em exposição. Iniciei a busca por sacolas. Primeiro pensei em fazer sacolas plásticas mas aí descobri que a editora iria oferecê-las. Pensei então em oferecer algumas sacolas ecológicas. Comecei a vasculhar as tais "ruas especializadas" de São Paulo. Primeiro percorri as ruas de embalagens Rua da Cantareira e Rua Barão de Duprat (pertinho do Mercado Municipal  e da 25 de Março pra quem quiser fazer um pouquinho de turismo). Pra quem vai de metrô é só descer na Estação São Bento. Mas esta se revelou uma busca infrutífera. Estas ruas são especializadas em sacolas de plástico e de papel e as de pano são verdadeiramente caras. Além disso, muitas das lojas só trabalhavam com quantias mínimas de 100 unidades o que para meu orçamento era inviável. Desisti das sacolas, mesmo estando preocupada por já ter anunciado esta promoção e fui atrás de personalizar as camisetas. Antes disso, acabei descobrindo acidentalmente a rua especializada em materiais de cozinha chamada Paula Souza e comprei o avental e a touca por 9 reais pensando em divulgar meu livro Padaria. A ideia até que era boa mas eu acho que muita gente me confundia com a Palmirinha lá na Bienal. Rs. Ainda preciso pensar em deixar esse visual mais sombrio. Depois de muito perguntar me indicaram a rua Bresser como sendo a rua da customização de São Paulo. Como a sorte geralmente acompanha os desavisados, esta rua se divide em duas especializações, na primeira metade oferece panos, cortinas, toalhas, guardanapos e... sacolas de pano. Encontrei pequeninas sacolas de algodão no tamanho certo para os meus livros e depois de alguma pechincha consegui comprá-las por 2,30 cada. Subi a rua em busca das lojas de customização por indicação do vendedor dessa loja. Na outra ponta existiam várias lojas realmente especializadas onde você pode escolher o bordado (o mais caro) os decalques, algo em torno de 1,50 cada e outras técnicas que nem olhei já que estava de olho no preço. Uma coisa que acontece ali é que em algumas lojas somos muito mal atendidos, ou antes, atendidos com indiferença. Outro ponto é que sugiro que, se puder, já vá com a sua arte pronta e salva em Corel Draw. A parte mais cara é a arte. Esta lojas possuem camisetas para vender. Como compram em montes acabam saindo mais baratas. Achei aquelas camisetas de cor luminosa que usei na bienal (afinal o propósito é chamar a atenção) por meros 4 reais cada. O tecido não é muito confortável mas o efeito é mais agradável do que as camisetas de algodão que amassam com facilidade. O decalque é feito na hora se você estiver disposto a esperar umas 2 horas. O bordado por outro lado é mais demorado e caro. Eu acho que me precipitei em fazer o avental bordado. As duas peças ficaram por 45 reais, e ainda tive a surpresa de chegar na loja para buscar os itens e descobrir que a loja inteira tinha se mudado de um dia para o outro para a "casa do chapéu". Tendo o material de divulgação pronto fui atrás dos marcadores. Novamente, se você é capaz de fazer a arte, isso barateia muito o custo. Eu consegui uma boa pechincha por ter um amigo que trabalha em uma gráfica. Fiz 2500 marcadores por 180 reais. No entanto, eu fui meio tola na hora de fazer a arte. Eu já estava meio estressada e acabei, para variar, me preocupando mais com a parte visual do que com a parte de divulgação. Não coloquei sinopse e apresentei apenas uma forma de contato. Só lá na bienal que eu vi como os outros marcadores eram feitos. Mas vivendo e aprendendo. Por fim, fui atrás da fantasia da princesa. A rua das fantasias também fica próxima da região da 25 de Março, na rua da Ladeira. Ali adquiri o vestido (54 reais) e a peruca (39 reais), além da tiara (4 reais). Cosplay foi a coisa que achei mais cara e inviável. Porém, já havia combinado com algumas alunas de levá-las então decidi cumprir o prometido. Já que estava trocando minhas férias pela Bienal, ao menos tinha de me divertir um pouco. Rs. Encomendei as lentes de gato em uma ótica em Santo André. De longe meu investimento mais salgado. 120 reais divididos em 6 vezes no cartão. Devem estar pensando ou é louca ou é rica. Não, na verdade eu estava mais concentrada em minha proposta. Eu queria sim fazer uma boa divulgação, porém, já que estava investindo todas as minhas economias guardadas para as minhas férias, também queria que o processo fosse divertido. Eu escrevi por toda a minha vida sem ter quem pensasse em publicar minhas histórias. Já mandei estes livros para tantas e tantas editoras que já perdi a conta. E na época em que comecei a correr atrás das editoras não tinha essa mamata de hoje não de só mandar o PDF ou colocar o texto na Bookess. Eu tinha de datilografar aquele zilhão de folhas, xerocá-las e enviar por correio. Todo o processo sendo bem caro para minha juventude iniciada com o salário mínimo. Pensei então que agora ao menos eu tinha o compromisso de investir em mim mesma para não carregar nenhum arrependimento. Obviamente, não recomendo um gasto tão alto se estiver planejando participar de um evento assim. Recomendo efusivamente os marcadores, o meio mais seguro de se abordar o futuro leitor. Mas o resto deve ser atrelado ao seu orçamento. Eu ainda tive mais gastos que não programei mais para frente. Em resumo, praticamente não tive lucro com essa bienal. Se o seu orçamento é mais apertado, pegue os seus 10% de custo de capa e calcule um reinvestimento de 3% a 5% sobre a média de vendas, algo em torno de 30 livros se não for fazer abordagem direta e 50 se for abordar o futuro leitor. Na próxima semana vou dizer como fiz durante o evento. Espero que esse relato ajude aos autores iniciantes de alguma forma. 

4 comentários:

renatocinema disse...

Sou fã desse site......sempre.

Marcello Salvaggio disse...

Já participei da Bienal uma vez e mesmo com o livro publicado por uma editora não foi uma tarefa fácil, por isso a parabenizo desde já por seu trabalho e por sua coragem, já que ser escritor(a) é sempre um ato de coragem.

J.C.Hesse disse...

Gi, se me permite lhe tratar assim, adorei a investida. Você não é louca não, primeiro porque vemos artistas famosos se travestindo de seus personagens e divulgando seus trabalhos. Leitor, pegamos primeiro pelos olhos, depois pela ideia e por fim, conquistamos sua alma literária. Seu esforço, nada mais é que colocar o leitor dentro do seu sonho.
Parabéns!
J.C.Hesse

Gislene Vieira de Lima disse...

Oxi, pode chamar de Gi sim. Tenho uma teoria de que o s do Gis e o l do Lene são de alguma forma impronunciáveis pois todos adotam alguma abreviação. Mas depois de ser chamada de "Gilene" por uma mãe de aluno, acho que o que vier é lucro. rs.

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