sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PIXAR E O STORYTELLING


Desde Toy Story, a revolução nas animações não ficou apenas no visual cada vez mais próximo da realidade. Junto com a proposta de tornar gráficos o mais semelhantes possíveis com o que vemos no mundo real, a Pixar também trouxe a ideia de que conquistar com uma história deve ser regra em seus trabalhos. Com isso, nas últimas duas décadas, o que não faltam são exemplos de filmes que faturam em bilheteria, ganham prêmios, emocionam e passam a fazer parte de nossas vidas.
Entretanto, uma boa história nesse nível não se faz sozinha ou simplesmente juntando alguns elementos interessantes em cima de um enredo qualquer. Sendo trabalho de uma única pessoa ou de toda uma equipe, é preciso, antes de tudo, ter em mente uma promessa: essa história vai ser tão boa, que a pessoa se sentirão orgulhosas de ter dedicado um momento da sua vida para ela.
É esse pensamento que move as pessoas da Pixar e que se tornou a tendência no mundo. Animações, filmes, livros, novelas, seriados, jogos, músicas, propagandas, não importa o produto. Em um mundo onde existe uma infinidade de opções para um público que deixou de ser passivo, ganha quem sabe conquistar.
Emma Coats, que faz parte da equipe de John Lasseter, aquele que está a frente da Pixar, publicou no seu perfil do Twitter algumas regras que o pessoal de lá segue para criar histórias cativantes. Confira alguma delas e descubra do que boas histórias são feitas:
1. Um personagem deve se tornar admirável pela sua tentativa, mais do que pelo seu sucesso.
2. É preciso manter em mente o que te cativa como se você fosse parte do público, e não pensar no que é divertido de fazer como escritor. As duas coisas podem ser bem diferentes.
3. A definição de um tema é importante, mas você só vai descobrir sobre o que realmente é a sua história, quando chegar ao fim dela. Então reescreva.
4. Era uma vez um/uma________. Todo dia,__________. Um dia, então__________. Por causa disso, __________. Por causa disso__________. Até que finalmente_______.
5. Simplifique. Tenha foco. Combine personagens. Não desvie do principal. Você sentirá como se estivesse perdendo material valioso, mas ficará mais livre.
6. No que os seus personagens são bons e o que os deixa confortáveis? Coloque-os no lado oposto a isso. Desafie-os. Como eles lidarão com essas situações?
7. Crie o final antes de saber como será o meio. Sério. Finais são difíceis, então adiante o seu trabalho.
8. Termine a sua história e deixe-a, mesmo que não seja perfeita. Siga em frente. Faça melhor da próxima vez.
9. Quando você tiver um “branco”, faça uma lista do que não irá acontecer no andamento da história. Muitas vezes, é assim que surge a idéia de como continuar ela.
10. Separe as histórias que você gosta. O que você vê de bom nelas é parte de você. É preciso identificar essas características, antes de usá-las.
11. Colocar no papel permite que você comece a consertar as falhas. Se deixar na sua cabeça até aparecer a idéia perfeita, você nunca compartilhará com ninguém.
12. Ignore a primeira coisa que vier a sua cabeça. E a segunda, terceira, quarta, quinta – Tire o óbvio do caminho. Surpreenda a si mesmo.
13. Dê opiniões aos seus personagens. Passivo/maleável pode parecer bom enquanto você escreve, mas é um veneno para o público.
14. Por que você precisa contar essa história? Qual é o combustível que queima dentro ddela, e do qual ela se alimenta? Esse é o coração da história.
15. Se você fosse o seu personagem, e estivesse na mesma situação, como você se sentiria? Honestidade dá credibilidade para situações inacreditáveis.
16. O que está em jogo? Nos dê uma razão para nos importarmos com o personagem. O que irá acontecer se ele fracassar? Coloque as probabilidades contra o sucesso.
17. Nenhum material é inútil. Se não está funcionando, largue de mão e siga em frente. Ele pode ser útil mais tarde.
18. Você deve saber a diferença entre dar o seu melhor e ser espalhafatoso. Histórias são para testar, não para refinar.
19. Coincidências que coloquem os personagens em problemas são ótimas; as que os colocam fora deles, são trapaça.
20. Exercício: Divida em pedaços um filme que você não gosta, e o reconstrua de forma que ele se torne um bom filme, na sua opinião.
21. Você deve se identificar com as situações e reações dos seus personagens, e não escrevê-las de qualquer forma. Você agiria da mesma maneira que eles?
22. O que é essencial na sua história? Qual a forma mais curta de contá-la? Se você souber a resposta, pode começar a construí-la a partir daí.


Postado originalmente em TRAFOR BRANDTHINKERS

Um comentário:

J.C.Hesse disse...

Adorei o texto, bastante elucidativo, principalmente para não cairmos nos "mesmismos" e perder o foco.

Obrigado,
J.C.Hesse

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