sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Ter ou não ter o controle da sua história?


Tenho lido muito sobre técnicas de escrita de romance ultimamente.

A maioria delas impõe que o autor tenha um controle completo de sua história, traçando desde uma biografia completa dos personagens (principais, secundários, outros) até um mapa de capítulos e acontecimentos.

Sejam diagrama, mapas, árvores, enfim... aqueles técnicos de escrita sempre debruçam-se sobre fórmulas e mais fórmulas que ajudem ao escritor a manter o controle de sua história, como um cavalo sobre rédeas. É positivo se você pensar que isso te dará o suporte necessário para não se perder na história ou ainda, chegar até o seu destino final sem desvios no caminho.

Em contra partida, me deparei com uma técnica totalmente diferente, que apelidei de "escrita criativa" já que o autor dessa técnica nunca lhe deu um nome... nesta técnica o autor começa com uma ideia sobre o que quer escrever e uma página em branco. Sugere inclusive que se pense no título da sua história em primeiro aspecto e que esse título é tudo o que você precisa saber para traçar todo o seu roteiro, sem pré-programar nada.

Essa técnica não é diferente daquela que eu uso quando quero começar algo totalmente novo. Eu penso "quero escrever um romance com anjos", por exemplo. Crio um nome e salvo o arquivo com o título da história e então crio personagens e as cenas principais. Talvez a primeira cena que eu escreva nem seja com o personagem principal... e me solto. Deixo as palavras fluírem. É ótimo porque serve para que eu sinta o clima da história e comece a criar os personagens, mas normalmente eu deleto esse arquivo e começo um totalmente novo depois que as coisas já se formaram melhor na minha cabeça.

"As vezes, minha história se trava. Cada palavra é dolorida, uma facada em minha mente, não se encaixa, não sei bem o que estou escrevendo... outras vezes, flui tão rápido que meus dedos não conseguem acompanhar a minha mente." é como o autor da técnica diz que se sente.

Choque. Eu me sinto igual na maioria dos meus rascunhos.

Até então, minha busca por técnicas de escrita que me ajudassem a manter o foco parecia ter sentido, mas de repente, passo a me perguntar se preciso mesmo ter o controle da história ou se posso deixar os personagens tomarem o controle, me dizerem o que querem e o que não querem, me guiarem.

Seria possível?

Tecnicamente os personagens não podem ser mais inteligentes do que eu, mas as vezes, eles querem fazer algo que eu nunca faria ou sequer havia imaginado ser uma solução. "Como?", me pergunto por um instante, já que nos outros estou distraída me divertindo com até onde essa história há de me levar.

Eu nunca tinha parado para pensar que escrever por escrever, coisa que faço mais como exercício do que como objetivo de escrever alguma coisa, pudesse dar bons frutos sólidos o suficiente para ao invés de surgirem apenas rascunhos, pudessem ser algo definitivo.

Talvez escrever não precise de que se tenha todo o controle, só um pouco. Pode-se aproveitar o lado bom das duas técnicas: soltar a imaginação para surpreender-se (e consequentemente surpreender o leitor). Mesmo que isso signifique mudar de ideia quanto ao final de uma história. Pode ser proveitoso, eu penso; e ater-se a detalhes que guiem o autor como uma bússola que aponta o norte, mas não diz como você chega até lá.

Afinal, cabe ao autor descobrir como tirar o maior proveito de suas ideias e de suas histórias.

Escrever é criar, por isso, as vezes é bom soltar as amarras e voar longe... mas sem perder sentido, sem acabar escrevendo 500 páginas de puro nada, que não levam a lugar algum (mesmo que no meio dessas páginas haja uma cena que você retire daí e cole-a em um novo arquivo, para um novo texto, para remendar em outro).

O equilíbrio se torna importante: pacto da lucidez com a fantasia. E é com ele que se deve trabalhar, mantendo os pés no chão, mas deixando suas passadas flutuarem. Parece difícil, mas na prática é bem fácil.

E você? Já pensou em perder (propositalmente) o controle de sua história?


3 comentários:

Ordem do Saber disse...

Olha... pessoalmente não acredito que o autor possa ter controle de sua estória. O que acontece para mim é exatamente o contrário.

Tramas que são controladas de cabo a rabo por autores são frias, na minha opinião e não causam prazer ao escritor.
Tudo o que eu escrevo surge sozinho, início, meio e fim.

Um bom domingo.

Beatriz Caimi disse...

Eu tenho só o controle necessário da história (cenas principais) e eu tenho que remendar elas com algo, então eu sento na frente do teclado e deixo que meu inconsciente bole a história fora destas cenas principais, as vezes dez minutos me dão duas ou três páginas nesse raciocínio, mas na hora das cenas principais eu tomo as rédeas de novo e controlo os acontecimentos.

Andressa Petrova disse...

Enquanto lia percebi que minha história surgiu assim.
Um título provavelmente provisório, cenas aleatórias com os personagens principais e secundários....
E aos poucos está indo :3


Minha Fuga da Realidade

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