sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A cara do Brasil








Ao se negar aos cuidados emergentes em relação à exclusão dos desiguais no meio social brasileiro, respaldando-se por pensamentos mal formulados, que não há nada a se fazer para que haja uma melhoria nos reflexos causados pelo preconceito e discriminação; o cenário se agrava a cada nascimento de um desigual, e outro de um igual, à medida que se está sendo depositada para “baixo do tapete” a realidade gritante que não para de crescer; a cada minuto uma nova cena de violência; um desigual matando, assaltando; alguém morrendo de fome e uma criança sendo abandonada. O conformismo com esta realidade se agracia nas razões encontradas de que o Brasil possui uma democracia racial pacífica; sem grandes tumultos avantajados por conflitos civis ameaçando a paz nacional, mas não há sucesso no gracejo de uma visão mais lúcida nas razões estampadas pelas filas para uma vaga de emprego, ou nos hospitais sem atendimento, bem como nas escolas carentes de ensino. Escolas feitas para pobres, negros e filhos sem pais contemplados para a ascensão no Brasil. Não seria exagero crer, que este conflito, já não seria um conflito civil implícito. Uma verdadeira guerra de valores antagônicos, vistos por lentes modificadas pelo grau de seu amparo; a lente do executivo, ou do político fora do palanque, é uma lente diferenciada do mendigo na rua; da família que recebe a vergonhosa bolsa como incentivo para levar seus filhos na escola, assim como, a lente do político em cima do palanque nos comícios que antecedem a sua candidatura, tudo quanto o tanto, por uma questão de necessidade, seja qual for a sua razão e teor de dignidade, ou não, mas nenhuma delas caminha-se para os braços do bem comum, tão bem sonhado na formação da sociedade.

 Há respostas, do mesmo modo, implícitas quanto à fragilização dos vínculos raciais e sociais; respostas que abastecem as máquinas combustoras da indiferença para o distanciamento social entre os povos e camadas sociais. O produto sempre será a solidão; a individualidade contemporânea distorce o modelo formador de sociedade. O preconceito vem tomando força nos volantes sociais com o aumento da diferenciação da distribuição de renda, que é o novo modelo da formação das classes sociais, consequentemente, a vala entre os grupos sociais.




Não há o que se fazer para voltar às origens das injustiças sociais e consertar os erros de nossos célebres antepassados ao vender pessoas como coisas; e classificá-las como tal; mas também não há como fingir que não sabemos o que houve, e que hoje, o caos que é uma degradação social humana não é devido a estas folhas de um livro chamado Brasil; e o motivo pelo qual estamos todos fadados a conviver com as exclusões; não somente assistindo a elas; creia, o reflexo deste fenômeno, um dia baterá a porta de quem ainda não foi visitado por ela; é quase uma ironia dizer que não existe no Brasil, uma só pessoa que não seja atingida, mesmo que indiretamente, pelos reflexos deste câncer social; o preconceito é um dos muitos dos frutos desta herança nacional. A raiz deste preconceito está camuflada no que tange a justificativa da existência de uma grande massa miscigenada; difícil se saber, quem hoje no Brasil não é negro. Usa-se este pretexto para desfocar o racismo; alegando através de demagogia que somos oriundos de um Brasil negro, porém, para que o preconceito seja prevenido, e não remediado, é necessário arrancar as máscaras daquilo que o deixa crescer às vistas grossas da hipocrisia. A camuflagem está interiormente alojada em espaços não visíveis nos lares; da conduta política; no descaso que ignora o seu crescimento.

A exclusão gera variados sentimentos de sofrimentos; o individuo sofre os efeitos da exclusão através da impossibilidade em recuperar a sua autoestima necessária para formar cidadãos capacitados; um dos veículos utilizados para se levar este individuo até tal patamar, chama-se discriminação. Dificilmente se diagnostica tal tendência, visto que se trata peculiarmente de um sombreamento da sociedade em caráter intersubjetivo. Assistir a algo é diferente de viver o mesmo algo; assistir é apenas ter conhecimento. Não se sabe a dimensão do sofrimento sentido pelo individuo que atravessa o estágio de uma injustiça social, pois nãos e trata apenas de ser injustiçado em dado momento, depois do contratempo, não se volta para a casa e recomeça um novo dia, no dia seguinte. A injustiça social alcança gerações. Um simples fato isolado pode gerar um caos que cresce dia-a-dia no campo intersubjetivo social; sem ser percebida a origem dos sofrimentos. Alguns ainda se importam com as questões humanitárias, desprovendo do altruísmo que revela uma verdadeira marca da busca do bem comum. Quantos? O mínimo desnecessário que faria mover a massa em torno de um mundo melhor. Para se alcançar uma mobilização necessária, muito seria útil, uma conscientização através de lentes focadas na boa formação de princípios e condutas empregadas no homem desde a sua educação, lar e escola; implantando o desejo de que este pequeno cidadão se negue a desejar, ou se acomodar em um mundo desconhecido pela compaixão e formação do ser humano em torno de um palco nacional que dê condições necessárias à sobrevivência digna.

O homem constrói uma imagem do desigual como um subterfúgio para nutrir a sua negação; rejeitando de modo a não aceitar aquilo que lhe não lhe seja espelho; quando observa o cidadão negro através de sua cor; ou pela diferenciação de sexo; racial, social ou forma física, gera no mesmo instante, a fobia da desigualdade que é repassada para os que estão a sua volta, não necessariamente por palavras, mas através de gestos, ou falta de ação na acomodação silenciosa, como se a simbiose entre iguais e desiguais, não fosse parte de um processo natural da vida.

Não venha me dizer que você não tem nada haver com isso...





POSTAGEM  E TEXTO DE ADRIANA VARGAS DE AGUIAR
Se for utilizar este texto, mencione a autoria

17 comentários:

Tatiana Mareto disse...

Esse é um comnetário teste, feito do meu ipad. Excluirei se os testes derem certo. Pedimos desculpas pelos inconvenientes, mas estamos fazendo de tudo para resolver com o blogger as dificuldades de comentários.

Renato Alves disse...

Bela reflexão. Sincera, verdadeira e pura.

Assino embaixo com as palavras: "o caos que é uma degradação social humana".

Mas, sendo sincero, não acredito em melhoria.

Vanderlei Aragão disse...

Oi Adriana, obrigado pela visita, nossa vc caprichou nesse post hein?, e como é dificil falar sobre esse tema, quem não está incluso nele né mesmo?
Exclusão (social) é um dos neologismos produzidos pela ideologia neoliberal, que substiutui a característica fundamental da sociedade capitalista --a divisão e dominação de classes-- por uma de suas consequências: a exclusão de uma parte da força de trabalho das condições de reprodução que haviam sido apresentados pela ideologia liberal, e em particular sua versão social-democrata, como 'direitos civis' (moradia, educação, saúde e lazer).
É você morar num apartamento luxuoso, sair na varanda e ver favelas ao seu redor, é você poder ter uma boa escola, enquanto crianças precisam trabalhar para sobreviver.
Bjs no coração e afagos na alma

Denis Lenzi disse...

Excelente texto que faz as pessoas refletirem da realidade cotidiana. Parabens ao autor do texto.

ensinoregular disse...

Adriane conheci teu blog,por intermédio do blog do Èlys.Estou te seguindo.Embora não seja uma escritora gosto de escrever sobre vários assuntos.te convido a visitares meu blog Escola e Comunidade link ensinoregular.blogspot.com
Espero que gostes.Abraços

Francilangela disse...

Realidade nua e crua.

Amandio disse...

A miséria a violência sempre existiu embora só a percebamos esta realidade pela imprensa.
Somos culpados por elegermos sempre aqueles que nos enganam, aqueles que só aparecem em tempo de eleição, somos culpados por sermos coniventes com todas estas coisas citadas no texto da Adriana.
obrigado por esta reflexão.
Atenciosamente;
Amandio Sales Clube dos Novos Autores

Simone MartinS2 disse...

Ah, ate que enfim te achei...estou por aqui e me peça o que quiser, eu farei...bjin

Mar disse...

baby ta rolando dois sorteios la no blog.
Um do livro A LINGUAGEM DAS FLORES
e o outro com um kit de 7 super livros. Participe!!!
Imaginayre

Jasanf disse...

Adorei o texto reflexivo. Estou te seguindo também: www.lectandome.blogspot.com
Abraço,
Jasanf.

J.C.Hesse disse...

O texto é mais uma alavanca para abrir o ventre da verdade que muitos fingem não ver. Gostei!
Abraços!
J.C.Hesse

Evanir disse...

Quanta verdade existe nessa postagem é sempre um aprendizado .
Foi aqui também que encontrei além da postagem
uma grande amizade com a escritora ,Adriana Vargas,..
Estou lendo dois de seus livros e se Deus quiser vou comprar cada um delas .
E com certeza de novos autores também.
A leitura me trouxe de volta a um antigo costume
ler dois livros ao mesmo tempo.
O Clube dos novos Autores deu um grande avanço para quem esta escrevendo seu primeiro livro ou até muitos que já escreveu numa divulgação maravilhosa aqui no Clube.
Um feliz final de semana a todos .
Bjs no coração.
Evanir

Iracema disse...

Não acredito. Tendo comido uma parte a outra não dá pra todo o mundo.
Tudo de bom
Mil cores na sua vida

Ordem do Saber disse...

Parabéns pelo texto.

A desigualdade social atinge a todos, sem exceção. Uma democracia que alimenta um sistema sanguesuga de políticos que necessitam do sistema para ganhar dinheiro.
Pessoas frias, egoístas que só pensam em si mesmas.
Materialismo desenfrado que alterna os valores da sociedade.

O problema?
Está em cada um de nós, nao somente lá em Brasília.
O problema está no ser humano.

Um bom sábado.

Runa disse...

A exclusão social é um problema que resulta de um desequilíbrio instituído que promove padrões de normalidade e marginaliza todos os que não querem ou não podem seguir esses padrões. É um fenómeno quase tão antigo quanto o inicio da raça humana e do qual todos fazemos parte, uns de forma ativa, outros de forma passiva. O teu texto é muito pertinente e bem elaborado, mas em nada altera a realidade.

Abraço

Runa

Vitrine de Promoções disse...

Sinto a alma lavada depois de ler este post e um a tristeza muito grande por relembrar uma realidade que tenmos que conviver todos os dias.
Infelizmente mesmo que queiramos fugir somos pegos de cara e nada se faz para tranformar tudo pela indiferença.

Beijos
Irene Moreira

Cesar S. Farias disse...

Essa mensagem precisa ser repetida diversas vezes, nas mais diversas formas e estilos de escrevermos. Que cada autor, portanto, sinta-se impelido á fazê-lo.

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