quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quem sou?



Não sei quem sou.
Sou apenas o que entendo ser, entre as coisas que preciso fazer.
Sei quem sou quando preciso cuidar dos meus filhos; quando preciso pagar as minhas contas, mas as vezes prefiro nem saber quem sou... Sei apenas que o mundo gira, e preciso acompanhar...
Não sei quem sou, quando amo, ou detesto, imaginando definições a meu respeito, vou indo... E quando paro, me pergunto se não é hora de viver... O que é viver, além do que imagino ser entre as oportunidades que o mundo me apresenta...
Viver é ter sucesso? É ter um dia bem sucedido? Será que algum dia em realmente vivi, ou me iludi com efêmeras propostas que se dissolvem com o tempo?

A vida muitas vezes se apresenta a mim, como a um túnel, o qual preciso caminhar, mesmo sem saber para onde está me levando... Especulo-me internamente, se a vida não é o que acontece fora do túnel, e se este túnel  não é apenas o único papel que devo realmente cumprir, viver robotizada em uma missão que ira me humanizar um dia, porque não sei ser gente, se não for pelo cabresto que o cotidiano me impõe; não saberia enxergar as frações de segundos, tão nítidas, se conseguisse enxergar com os olhos da alma; a alma coberta por devaneios tolos; submersos em gota a gota, por algo que sempre acredito ser o melhor; as minhas melhores ideias levaram-me a fazer de mim, os cacos de vidro que guardo em um porta-jóias; é tudo que tenho...
Centenas de estilhaços ornamentados por serem brilhantes... 

Se não conheço nada sobre a vida, como posso saber da morte...
Como saber se a morte não é a resposta para todas as minhas perguntas, se mal vivo, como posso morrer de um modo bom; sem conhecer, se lá existe, ou não, a vida que tanto imagino através de palavras amontoadas todos os dias em um espaço que nada mais é, do que o palco dos meus sentimentos publicados sem a misericórdia de minha autopreservação - para que me preservar? Para "robustar" o meu orgulho que me impede constantemente de ser livre? Ser livre para viver o que acredito ser a vida?

Não sou diferente de ninguém...
Apenas concluo minhas decisões sem o medo de me abrir, permitindo a visão do que sinto, já que em muitas vezes não sei quem sou; quem sabe alguém saiba, e possua a coragem de dizer...

Estou farta das teses; da inteligência fabricada que ofusca o andar natural das coisas, e me afastam cada vez mais de minha essência - legitimidade! Peço ao final destas palavras tolas, um pingo apenas no conta-gotas...
Um pingo de mim mesma, e a paz necessária para entender que é somente isso que preciso hoje. 


Postagem de Adriana Vargas

Texto e criação do autor, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria.


Tentei fazer algo, mas não consegui, então mostro apenas o que tentei...
O vídeo do meu livro - O VOO DA ESTIRPE!

10 comentários:

Francilangela disse...

Sou o que sou, nada mais!

Evelyn Dias disse...

"Sou como você me ver
Posso ser leve como uma brisa
Ou forte como uma ventania
Depende de quando e como você me vê passar".

Clarice Lispector

Anna Leão disse...

Amei o texto, Adriana! Adoro essa intensidade, essa profundidade que você expressa em sua escrita!
E o vídeo do Voo da Estirpe está lindo! A música casou perfeitamente! PARABÉNS!!!
Bjão

Amandio disse...

Sou parte do universo, uma pequena extensão do infinito! Sim! Sou imutável, o responsável pelos atos cometidos por mim, sou o responsável pelos meus atos!
Drica testo esplendido, ele fala bem do ser!
Com carinho:
Amandio Sales
Beijos

Rosângela Monnerat disse...

Seu voo me levou!
E apesar das alturas, não me fez cair. A não ser, em lágrimas...

Beleza!
Bj!

RUDYNALVA disse...

Adriana!
Agradeço a visita no blog e o convite. Retribuo!

Lindo seu texto!
"Um pingo de mim mesma, e a paz necessária para entender que é somente isso que preciso hoje. "

cheirinhos
Rudy

"EU QUERO PARTICIPAR DA PROMOÇÃO SIGA E CONCORRA"

@ Moda e Eu. disse...

AMEI

Vitrine de Promoções disse...

Se estas palavras são tolas então não sei quem sou sou eu. Aqui leio e sinto uma emoção que me aperta o coração.
Parabéns ao autor com todo o louvor,!

Beijos
Irene Moreira
Equipe Vitrine de Promoções

Fernando Soares disse...

O cotidiano e a sociedade realmente massificam e despersonalizam o indivíduo. Difícil saber quem somos - se é que ainda somos.

Ordem do Saber disse...

Um dos textos mais inteligentes que já li ultimamente em blogs. Parabéns.
Descobrir razões é uma das tarefas mais difíceis que o ser humano está enfrentando e sempre enfrentou.
Muitos dos problemas de nossa sociedade estão acontecendo por falta das pessoas não procurarem mais saber as razões dos acontecimentos, e quererem viver sem pensar. Mas também sem sentir.
Simplesmente estão vivendo, comandas pelo que é passado como certo.

Um bom sábado.

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