quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CINCO LUAS


“As pessoas experimentavam um misto de deslumbre e pânico. Não sabiam o que fazer. Só sabiam para onde olhar. Era mais forte que tudo em volta, a beleza, o horror, o novo e toda a transformação que vem junto com ele. Filas e filas de carros parados nas ruas com suas portas abertas e seus ocupantes do lado de fora tentando ver melhor o inesperado eclipse. No amontoado de carros ninguém se xingava, ninguém se agredia por estar na frente do outro. Ninguém queria se mover. Apenas comentavam, lamentavam, questionavam e observavam juntos o céu modificado. 

Observavam sua extinção. 

Em todo o mundo onde o sol tocava, as mesmas cenas, as mesmas expressões” 

“Rafael perdeu a consciência e enquanto estava desmaiado perdeu o maior e mais belo espetáculo que a Terra já viu. E o mais assustador. 

Uma enorme mancha negra quase escondia totalmente o sol. A parte minúscula que ficou de fora bruxuleava e se fazia presente na lateral da grande mancha que cada vez mais se tornava circular. A luz parecia estar sendo sugada para o negro absurdo que era o círculo, fazendo o céu passar de azul anil para combinações de vermelho escuro e roxo. As cores sempre mutantes num espetáculo único.” 

“Nagase não se mexeu, pois sabia que não seria atingido. Apenas ele e Naginata têm experiência e treinamento suficientes para lidar com Guardiões do nível de Rafael. O homem felino sustenta o olhar do Guardião. 

– Voltem para Daisuke ou lutem – diz Rafael, sem dar importância para Naginata, que parece estar a ponto de saltar sobre ele. 

– Lutemos então! – grita Nagase, com um sorriso terrível no rosto enquanto se move muito rápido. Corta o ar de baixo para cima e o sangue de Rafael jorra farto pelo ar. Suas presas cintilam e seus olhos de lince se estreitam, preparando o próximo golpe facilitado pela surpresa. 

Rafael desequilibra, perplexo com a velocidade do inimigo, e esquiva-se com esforço dos dois outros golpes que vêm dele. Nagase usa uma adaga de lâmina em curva. Não parece ter cabo, tamanha é a perfei­ção do encaixe da mão com a arma. A lâmina zune de tão afiada. Rafael não esperava menos de uma lâmina alienígena. 

Recobra o equilíbrio a tempo de se esquivar num salto às estocadas de lança dos inimigos às suas costas. Gira no ar e faz um movimento de lâmina com o braço na direção das hastes, e elas se separam como um encaixe. Antes que as pontas caiam no chão, junta as duas mãos e as empurra violentamente na direção de três inimigos, gerando uma lufada de vento que os joga para fora do prédio pelo buraco na parede. 

Aproveita o impulso do golpe anterior para se arremessar para trás e acertar em cheio com um chute giratório o rosto de Nagase, que voa novamente para a parede oposta. Mal toca o chão e já encolhe o corpo para encontrá-lo agachado, escapa assim de mais duas lanças e uma ter­ceira o corta superficialmente no ombro. Sem hesitar, gira numa rasteira rápida e acerta o nada, propagando uma onda de poeira esverdeada pelo local que derruba todos que estavam à frente. 

Empurra mais quatro com um vento forte para fora do prédio e vira-se para Nagase quando, já sem tempo, dá a falta de Naginata que lhe fatia as costas num corte exímio, do ombro já machucado até a metade das costas. O aliení­gena estava escondido apenas esperando o momento certo de atacá-lo. Rafael geme alto e compara rapidamente os dois cortes. Este doeu como o inferno, pro­testa ele mentalmente. Resolve se concentrar primeiro em Naginata. 

Seu peito largo sangra muito, assim como suas costas que latejam de dor. Traja apenas uma camisa preta comum com manga, bermuda azul e tênis. Tem um corpo relativamente forte com grande peitoral e costas amplas de merecido esforço e empenho. Pernas trabalhadas da mesma forma. Suas habilidades como Guardião apenas fortalecem mais suas resis­tências. Seus vinte e sete anos muito bem distribuídos no rosto expressivo de olhos castanhos escuro. Seu cabelo negro e curto está cheio de poeira. 

Afasta os braços num movimento rápido. E o ar se move à sua vontade, gira violentamente ao seu redor, é apenas proteção, no entanto, o vento prende Nagase na parede e recua Naginata. Precisa de tempo para pensar e armar uma tática contra os dois. O resto do bando é lançado pelo buraco como os outros anteriores com o vendaval que se forma no aposento. 

“William se encontra em um condomínio muito amplo de casas nobres em Brasília. Tem que correr muito para chegar a um espaço bom para olhar as casas ao redor. As pessoas não ajudam em nada também, cor­rem como loucas para várias direções, carros não param de sair das casas por toda parte. William tenta entender o porquê da bagunça enquanto corre para mais perto da presença de Leo, olha para o céu e vê várias naves 

inimigas cortando-o, indo a direções diferentes. Reconhece a casa de Leo ao longe. Apressa a corrida. 

Antes de chegar ao local, vê uma nave se aproximando, vem rápida, William percebe que ela o segue. Corre o mais rápido que pode em dire­ção a casa de Leo, mas é tarde. 

Um brilho no céu. 

A casa explode. 

William para perplexo no lugar enquanto vê os destroços voarem alto pelos ares. A nave pousa agora, vomitando uma tropa de Daisuke que marcha para a casa destruída. Não sente mais a presença de Leo. Pelo menos não em um único ponto. Entra em pânico quando pensa em que estado o encontrará. A presença de Leo se faz única de repente. 

– O que está fazendo parado aí? – é Leo atrás dele – Onde estão os outros? Quem são esses? 

William salta. Parece levar o maior susto de toda a sua vida. Leo é muito grande e esguio, um metro e noventa e seis, tem a voz grave e pescoço largo. Seus ombros são mais largos ainda dando uma proporção ao corpo alto. Tem os cabelos negros, curtos e espetados, a aparência molhada dá a impressão de serem maiores. Tem olhos da mesma cor dos cabelos. É o mais novo entre os Guardiões. Vinte e quatro anos. 

William pensou que seu amigo estava morto. Leo falando assim de repente às suas costas fez o coração do Guardião acelerar. Olha para ele com raiva, ignorando a nudez do amigo. Este último detalhe nem mesmo ele notara.” 


“– Temos que abater o máximo possível e tentar fugir em seguida. De algum modo – William se sente um inútil no momento. Sua primeira mis­são, e já está preso e apavorado. Tem mais preocupação na proteção de Leo. 

William não vê, mas Leo assente com a cabeça olhando fixamente para as motocicletas que avançam lentamente em sua direção. Alguns de seus ocupantes já descem e tiram belas adagas de compartimentos na lateral de seus trajes. Andam com um cuidado especial e ameaçador. O que está na frente de Leo possui uma faixa vermelha no braço, é o líder, pensa ele. Seus olhos felinos são terríveis. William vê vários deles tirando da lateral dos veículos o que parecem ser pistolas. 

Fodeu, pensa ele. 

Rápido como um tiro, mas com o barulho de uma explosão, William agacha batendo forte as duas mãos na terra. Grandes pedaços de concreto simplesmente emergem alto saindo de baixo de cada veículo, arremes­sando-os no ar com seus ocupantes. Canos submersos explodem numa chuva de água e lama. O líder grita algo em sua língua, e todos que não foram arremessados atacam com um rugido de gelar a alma. 

William rapidamente troca de lugar com Leo para lutar contra o líder Daisukeano. Leo, em um surto de inspiração, entende e gira nos calcanhares com a mão direita arrastada por trás do corpo, parece puxar algo pesado. Corre o mais rápido que pode a frente enquanto os inimigos avançam com toda fúria saltando dos destroços no chão com uma des­treza leonina incrível. 

Leo leva a mão direita à frente com um esforço notório, e para no lugar segurando o braço com a mão esquerda. O chão explode mais uma vez sob seus pés, trazendo uma infinidade de colunas de água e lama que se contorcem e se enroscam como serpentes. Uma hidra elemental. 

Cada coluna da espessura de postes ataca os inimigos à frente explo­dindo em seus peitos com um som de cascata e depois somem. Mais colunas de água surgem em todo o local.” 

“– Estamos prontos, senhora – diz um homem muito alto em sua armadura vermelha e sua voz trovejante. 

A mulher olha para trás, deixando os longos cabelos lisos voarem livres e caírem de lado em uma cascata. É de um castanho claro brilhante. Seu rosto mostra uma beleza selvagem. Seus olhos são da mesma cor do cabelo, e o nariz é bem centralizado e delicado. Em sua boca carnuda vê-se um sorriso de estarei pronta em um minuto, e seus olhos cintilam de excitação. 

Volta o rosto para frente quando o homem assente ao sorriso de espera. Olha-se no espelho acabando de se maquiar, e seu rosto de joia reflete em três ângulos diferentes. Pega um colar em uma caixa bonita de material trabalhado. Parece mais uma gargantilha de cor opaca com várias pedras negras que estranhamente lhe davam brilho. Fecha o colar e lança o cabelo para trás com as duas mãos, certificando-se de que os fios não ficaram presos nele. A linda cascata cai novamente em suas costas nuas. Arruma a blusa verde que teima em diminuir o decote, mostrando menos do que deseja. Arruma as alças resolvendo o problema, a vestimenta agora está tampando exatamente o que deveria tampar. Mostrando tudo que o desejo e a curiosidade pedem. 

O pano estende-se solto a poucos centímetros abaixo pelo volume dos generosos seios. O abdômen reto com o umbigo pequeno e a cintura de curvas calorosas ficam a mostra em uma exibição sem motivo, beleza gratuita. As duas pontas laterais da parte de baixo se ligam por uma cor­rente bonita e pesada por trás, não deixando a blusa deslocar-se tanto na frente e a curiosidade se perder. A corrente desenha a região baixa da lombar, indo se ondular na região alta do glúteo de escamas perfeitas. Seu tronco se eleva com o rosto fixo no espelho verificando os últi­mos detalhes. É tão alta quanto o homem à porta. Três metros de altura, mas pode ficar maior. Dá as costas para seu reflexo e desliza para a porta em um zigue-zague elegante. Uma formosa linha horizontal de escamas prolonga-se abaixo do delicado osso protuberante do quadril, contor­nando a região baixa do abdômen, dando uma ênfase maior ao desenho de seus músculos da barriga. A linha corre pelas costas em um traço firme, ondulando pelos músculos acentuados. O quadril largo e proporcional some em uma curva abaixo, se perdendo em uma enorme cauda de ser­pente. As cores das escamas mudavam com o corpo em movimento, mas em geral eram verdes, cintilavam em um lampejo amarelo e vermelho, dependendo da posição


Texto e criação do autor RONALDO CAVALCANTE, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria.

10 comentários:

Elizaine Ldbg disse...

Uaaauu!! Sem palavras!!! Estou apaixonada por esse livro =D

J.C.Hesse disse...

Muito interessante a condução do contexto.
Abraços
J.C.Hesse

POESIA NA ALMA. disse...

é texto nos deixa com vontade de ler o livro

Rubens Conedera disse...

Belo texto, assim como a obra deve ser. O autor merece congratulações!!!

Rubens Conedera disse...

Belo texto, assim como a obra deve ser. O autor merece congratulações!!!

renansouzamerces disse...

Olá,

Belo texto e induz o leitor a querer mais. Parabéns e por falar nisso gostei do visual novo do blog.

Atenciosamente,
R.S.Merces

Liachristo disse...

Diferente e interessante. Parabéns ao autor pela emoção que passa em seu texto!

RUDYNALVA disse...

Ronaldo!
Muito bom, creio que o livro vale a pena de ser lido.
Divulguei no blog:
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com/2012/01/indicacao-de-livros-e-autores-nacionais_19.html
cheirinhos
Rudy

Mia disse...

Gostaria de desejar um ano cheio de realizações para os autores do clube.
Sucesso sempre!!!

Cesar S. Farias disse...

As descrições do combate realmente emocionam e levam o leitor pra dentro do "ringue". Mais uma vez a eterna luta entre o bem e o mal sendo habilmente explorada por um dos nossos autores.

Postar um comentário

Seja bem-vindo!
O sucesso deste blog depende de sua participação.
Comente!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...