quarta-feira, 6 de julho de 2011

Drogas - um depoimento anônimo de quem veio do inferno!



Para uns, vagabundo, safado. Para outros, portador de uma doença incurável, progressiva e fatal. Esta é a descrição de alguém que sofre de uma doença chamada adicção, que não afeta apenas a si mesmo, como a família, e a sociedade como um todo.

Adicção é doença da alma; o adicto já nasce com a predisposição do uso de drogas, ou qualquer outra substancia que altere o seu comportamento, mais cedo, ou mais tarde, ele vai usar... Desde criança, já apresenta comportamento estranho, com tendência a viver no isolamento e ser adepto da mentira. Quando conhece a droga, acredita que a porta do céu lhe foi aberta, enfim, encontra algo que lhe complete. Adicto é simplesmente aquele que torna escravo de algo que conduz a uma fuga, a droga é um caminho; o seu algoz, que em busca de uma aventura entre grupos para ser sentir parte de algum lugar, ou uma escapulida dos problemas e traumas, acaba por não conseguir sair de suas garras. Matando, roubando, vivendo para usa, ou usando para viver, está o adicto, que tem por único Deus, a droga e seu efeito.



Conseguir meios e maneiras para usar mais se tornam um hábito, nem mesmo a sua mãe, em lágrimas, ou seu filho, pedindo que não o faça, ele não consegue parar... Pois, uma é pouca, dez não bastam para quem quer morrer sem identificar o motivo, apenas quer morrer, desejando ser qualquer um, menos a ele mesmo.
Com o tempo usar torna-se o inferno que ele precisa viver, pois se tornou seu modo de vida; usa quando se sente feliz; usa para esquecer a vida e seus transtornos, usa quando perde, usa quando ganha. Tudo é motivo para usar, entre manipulações, justificativas e desmoralização, abandono, degradação, humilhação e dor.

Usar drogas leva o ser humano a um nível animal; com dificuldades para amar; com medo de sentir... O adicto se esconde do mundo e da intimidade através do uso compulsivo e obsessivo das drogas; tudo que pensa é usar; tudo que faz é para usar; adicto é aquele homem, ou mulher, que usa mesmo quando não quer; aquele que todos os dias promete ser aquela, a última vez, e em muitas vezes vai buscar sua droga de escolha em lágrimas, sem conseguir reagir, se perde em caminhos que muitas vezes não possuem volta. Encontram-se solitários; os amigos se foram; a família não acredita mais; sua doença acaba por contagiar todos a sua volta. Perdeu tudo! Tudo! Ninguém quer ficar perto de alguém que troca tudo por droga; desde televisão, comida, filhos, mulheres... Tornou-se mais fácil lidar com os animais do que com adicto na ativa...


Alguns se matam, outros enlouquecem, e muitos estão na prisão. Os defeitos de caráter não os permitem se perceber, e admitir que não há como controlar; que sozinho não conseguirá parar de usar, e que esta doença só terá cura, quando ele se tornar perfeito, ou se morrer... Pois as drogas não tornam um adicto, um doente, e sim, o seu comportamento e tendências a autodestruição. Muitas pessoas são usuários esporádicos, consomem drogas e voltam para as suas casas. No dia seguinte vão para o trabalho, se casam, constitui uma família e param de usar quando queiram. O adicto não consegue parar de usar, uma vez que inicia o processo compulsivo e obsessivo pelo o uso; não consegue usar drogas em ter sucesso em nenhuma área de sua vida.


A adicção é uma doença comportamental, ou você muda, ou você morre... Aquele que iniciou o uso e ainda se encontra no “namoro” com as drogas, acredita-se diferente daquele dependente que dorme nas calçadas, ou se prostituem para usar drogas... Ledo engano! Esses também quando iniciaram seu uso acreditavam parar de usar quando quisessem, e que jamais roubariam, dormiriam nas calçadas, ou se prostituiriam, no entanto, a doença da adicção é um poder bem mais forte do que seu poder de auto-engano.

Somente um adicto pode ajudar e compreender outro adicto, por este motivo, muitas pessoas se reúnem em uma sala, partilham e buscam uma nova maneira de viver. O milagre acontece; tudo que era antes perdido torna-se possível reconquistar, através de uma frase dita em Narcóticos Anônimos – continua voltando que mais será revelado! Outra – “não use, haja o que houver...” “É só por hoje!”


Se acreditar que nunca mais irá voltar a usar, o medo do futuro que é tão habitualmente sentido pelo adicto, o faz desistir, pois em toda a sua vida nas drogas não se imaginou ficar sem o uso ao menos um dia, e em N.A., um dia de cada vez se torna mais fácil. O milagre está na confiança que se adquire na empatia, em ver tantas pessoas juntas, se recuperando e dando certo; de repente, descobrindo princípios espirituais e pondo-os em prática, como honestidade, boa-vontade e mente aberta, só por hoje, quem seguir este caminho, não precisa mais voltar ao uso de drogas. De repente também, ouve-se falar de um Poder Superior que existe dentro destas salas, e que Ele se revela dentro da compreensão de cada membro, do modo como este O acredita, e que este Poder lhe é capaz de devolver a sanidade... Aprendendo a confiar, se entrega aos cuidados deste Poder sem se preocupar com os resultados, apenas confiando que Ele fará alguma coisa pelo adicto, se este adicto acreditar que é possível viver apenas um dia sem drogas, só por hoje...


Se você conhece, ou se você é um adicto, lembre-se apenas de tentar. O milagre que está acontecendo na vida de milhares de pessoas que perderam o desejo de usar, e hoje vivem em uma nova maneira de viver, não é conto da carochinha, Narcóticos Anônimos funciona para quem cansou de viver a margem da sociedade, e num fio apenas de esperança, resolve voltar as suas reuniões, seguindo as sugestões e evitando a primeira droga.

Aqueles que não acreditam no que o poder das drogas é capaz de fazer, continuam usando, que mais cedo ou mais tarde, vão saber...





Texto e criação de Adriana Vargas de Aguiar, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria.

12 comentários:

Tatiana Moreira disse...

Olá Adriana!
Obrigada por sua visita e palavras deixadas em meu blog!
Ao chegar aqui e ler essa postagem, senti que algumas lembranças de um tempo difícil afloraram na mente. Sei bem como é conviver com pessoas que estão doentes por esse vício. Destrói a todos juntos. ´pE preciso muito amor e muita força de vontade para sair dessa!
Voltarei mais vezes por aqui!
Um beijo carinhoso

leonel disse...

Para seguir por lá, é só ir até o final da página, no rodapé.

Lau Milesi disse...

Olá Adriana, bom dia!!! Excelente e providencial postagem .Drogas, as malvadas e cruéis drogas. Antes as daninhas eram reservada aos movimentos rebeldes, mas hoje têm ultrapassado todas as fronteiras sociais, econômicas, políticas e nacionais e internacionais.
Parabéns pela postagem.

Muito obrigada por sua gentil visita.Seja bem-vinda!!Ficarei super contente de ser a ganhadora do seu livro. :)Que egoismo, né? :)

Um grande abraço

A Mina do cara! disse...

Fui a uma palestra do Zuenir Ventura e ele disse uma coisa muito importante, a meu ver: o século 21 carrega consigo duas heranças malditas do século 20: HIV e as drogas.

Fiquei pensando nisso um temmpão. Depois eu comecei a perceber que as pessoas mais velhas não usaram drogas realmente, isso veio com a contracultura dos anos 60/70/80/90.

E agora vem a pior parte, a mídia usou e abusou dessas imagens para vender e vender e vender.

Ela vende a droga e humilha o usuário, ao invés de fazer o papel teórico dela, que é informar sobre.

Mas...

um beijo e quero saber do livro...

Amandio disse...

As drogas é um caso sério, deveria ter unidades para ajudar estas pessoas que ficam dependentes ou nasceram assim! Vale a apena perder tudo por uma paradinha?
Sim vale apena admitir que esta doente e precisa de apoio tanto da população de si, quanto do governo...
Adorei o depoimento!
Faz pensar e nunca querer usar estas coisas! rsss
Uma boa tarde, grandes beijos e várias doses de carinho...

wcastanheira disse...

Infelizmente um texto necessário, verdadeiro, profundo e inteligente, trabalho c/ AMOR EXIGENTE e sou uma pessoa com 29 anos de sobriedade de drogas, ainda em recuperação graças a DEUS vou somando dias, meses e anos porém só com a ajuda de textos como este e pessoas iguais a vc é q podemos manter e somar anos de sobriedade, muiiito obrigado, q DEUS lhe proteja e abençoe, vc merece milhões de bjos, bjos e bjosssss

Anderson Dostoiévski disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gessy disse...

Postagem com palavras intensas mas verdadeiras, é a triste realidade com que temos que conviver diariamente, basta olharmos para qualquer direção...

Obrigada pela visita!

Ahtange Monte Negro disse...

Oi querida,
Adorei o post realmente muito tocante, conviver com algo assim não deve ser fácil.
Linda tem selinho pra vc no meu cantinho, bjos!

Anderson Dostoiévski disse...

a vida é feita de curtas e longas.
curta vida
longas escolhas
curtas tempestades
longas caminhadas
curtas felicidades exageradas
longas temporadas de amor e ódio
em fim, vivemos. Criamos nosso roteiros,
e muitas vezes somos os personagens
sem roteiro nenhum de vida.
mas somos cheio de vida, até mesmo quando não somos espectadores de vidas e não temos nada a declarar sobre nossa própria vida

cheios de medo cheios de desejo
cheios de curtas e longas em devaneios
fazemos parte desse documentário A HISTÓRIA
e somos personagens até quando não queremos da nossa e da alheia desse longa chamado vida

existem muitas vidas que precisam ser salvas
uma salva de palmas para aqueles que acreditam
que a vida não é uma droga e que as drogas não dão longa vida

joserodrigo64 disse...

"só quem tem algum ente seu nesse mundo...pode realmente sentir suas palavras...sábias eu diria.

Róbson Lousa disse...

Super interessante. Parabéns

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