terça-feira, 22 de novembro de 2011

O MENINO DO CORVO AZUL




Ele corria sentindo a palpitação acelerada do coração. Ele corria ofegante e com cabelos esvoaçantes, a areia beira-mar bailava ao vento diante de cada cavalada de seus pés!

Tinha medo de olhar para trás e, não olhava!

Ofegava!

Os sons eram confusos! Atemorizado, corria sem rumo certeiro, sentindo vento e areia na epiderme, dividia a batida do coração com o lamentar dos pássaros, até que a curiosidade tomou-lhe de ímpeto.

“Os equívocos estão perdidos

E se estão perdidos

É por que saíram de lugar!”


Para Benjamin o destino seria cruel ou piedoso? Seu palpitante coração não o ajudava! A simplicidade da chance da curiosidade latente firmou na dureza de seus lábios rígidos do frio. Os olhos arregalados de feição carinhosa embriagada com o susto analisaram aquele ser...

A eternidade andava por entre os dois, apreciava tépida e arrogante, ergueu os braços, em sintonia com excelência temporal, mostrou-se afável ao encontro, transformou o imutável tempo geográfico em profunda vagareza apaixonante! 

Imóvel, ele parecia saber de tudo, foi lançado ao destino aquele encontro, carregados impiedosamente um ao outro. Na ponta dos pés aproximou-se, deixando a luz cobrir seu corpo, o brilho reluzia em simplicidade e beleza movediça.

O menino de boca aberta deu um passo adiante. Sem entender exatamente o que acontecia ali, esticou as minúsculas e frágeis mãos, sabe-se lá o que encontrar!??

“O novo é a espinha dorsal do medo

O novo é o caminho da ignorância

O novo é a ignorância ao avesso!”

Ainda tentou fugir, mas depois do primeiro passo o retorno é uma condição inviável, então, logo desistiu da idéia descabida. Explodindo de vontade quem foge? Benjamin, apesar de assustado consistia em uma importante chuva rítmica de sólida audácia.

O silêncio, onipotente, era mais que a última pétala da primavera. Tornando o futuro quieto e invisível. O corvo tinha autoridade sobre a vida, mas não qualquer vida, Benjamim seria a razão proposital. Alheios a tudo e, com suas próprias formas, pareciam espelhos, os olhos falavam por eles, dentro de cada um pairava uma solidão triste e vazia, panorama orgástico de conflitos existencialistas. O coração abdicou da voluptuosa sonoridade rítmica.

“A calma é consciência oblíqua

Consciência é o oxigênio

Oxigênio é a cor da vida!”

Benjamim via, naqueles olhos, uma criança, mas ele sabia que era um Corvo. Sua mente dilacerava com a interrogativa, nunca tinha visto um Corvo Azul no mundo, nem nos livros mais mirabolantes! Logo o prenuncio da ação primogênita: o corvo abriu suas, longas e azuis, asas brilhantes, selecionou um vôo e atacou o céu, rasgando-o em beleza!

“Beleza é símbolo

Símbolos são exemplos

Exemplo é magia!”


Como o poeta pode descrever tal momento? Se nem o próprio Benjamim o poderia!? Pensou que era isso que ele queria ser quando crescer: Um Corvo! E de preferência azul! Queria voar! Impávido corria, mas sem a fúria de outrora, corria flutuante, os braços elevados ao céu, descobriam o desejo da mente. E o menino esqueceu o que fizera chegar tão desesperado até ali! O coração do pequeno estava curado. As mazelas humanas foram apagadas!

Na cidade, no Bairro, na Rua e até na Casa, ninguém se deu por falta de Benjamim, na sua ultima tarde naquele âmbito, andava de bicicleta. A solidão era companheira constante, o esforço de maltratá-la era inútil! As tentativas formavam fúria de olhares repressores. Risos amargos. Janelas de sonhos não vividos! Desejo imperativo de ser exilado! Mas o céu era distante demais. Até que o pequeno menino pisou no escuro, cuspiu no fogo, matou a morte!

“O medo nos acompanha

O medo é fronteira

Fronteira entre: liberdade e opressão!”


Assombrado com um carro que passou por sua bicicleta correu até a praia! Encontrou o Corvo! A Sorte lhe foi generosa!

E enquanto beirava juntamente com o primeiro e novo amigo se imaginava igual. A atmosfera elegantemente regulava a brincadeira, a lentidão soltou a flecha da eternidade e soprou, junto aquela alma ferida, pétalas misteriosas de liberdade. Tão grande a arte poética do cenário que a mão da eternidade resolveu decifrá-lo: as penas azuis do Corvo brilharam tanto que cegou o menino, que ao nada ver, sorriu, ao abrir os olhos voava. Voava como um lindo Corvo Azul. Na cidade todos corriam para ver aqueles pássaros raros. Benjamim não via mais o Corvo e sim outro menino ao seu lado, desfrutando as extremidades! Ele sabia a outra história, mas para que falar disso?


Lilian Farias
Texto e criação do autor, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria.

8 comentários:

J.C.Hesse disse...

Lindas palavras, que bem colocadas criaram uma magnífica viagem.

Meus parabéns!

lucas repetto disse...

Que leitura gostosa e cheia de sentimento-vivo. Transgredir o rumo dos questionamentos. Viver o âmago de si. Sonhar. Buscar. Seguir e não temer (ou ter muito medo, mas seguir mesmo assim).

Constancia na menção de si para outro que é a ele mesmo. Benjamim deve ser um primo perdido do Pequeno Príncipe. (viajando)

E a ilustração? Belíssima.

Parabéns!

Giovana Schneider disse...

Ótimo texto... PARABÉNS !!!

ABRAÇO CARINHOSO E FRATERNAL ...


GIOVANA

Sissym disse...

Olá Adriana, eu já estou lhe seguindo.
Eu desejo todo o sucesso.

Beijos

POESIA NA ALMA. disse...

obrigada, amigos!

­Nanda disse...

Oiii *-* Que texto incrível!!'
Adorei, me deixou arrepiada, louca pra ler um pouco mais *-*

Beijos, Nanda
www.julguepelacapa.blogspot.com

Rosane Fantin disse...

Muito lindo... Obrigada, Lilian, por nos brindar com um texto tão cheio de emoção.
Beijo!
Rosane

RUDYNALVA disse...

Lilian!
Que texto mais criativo e lúdico.
Transporta-nos a infância e a inocência!

Bom final de semana!

cheirinhos
Rudy

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http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com/

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