quinta-feira, 29 de março de 2012

Um pesadelo real




Acordei em meio a pesadelos, e com uma voz gritando ao meu ouvido - "Calem a boca! Quem pensam que são, se no momento em que mais precisei, não me deram se quer, um copo d'água?" Em meio aos tropeços e confusão matutina, sensações corriqueiras de alguém que demora  pelo menos vinte minutos para se situar acordada, percebi que a voz era a minha própria, eu gritava para as pessoas invisíveis em meu subconsciente, talvez gritasse para aquelas pessoas que nunca tive a coragem de dizer o quanto são desprazerosas para mim, ou, o quanto tentei calcular a sua parcela  microscópica de importância em minha vida, que não pôde ser possível o cálculo...

Talvez, tenha dito para os fascistas, os famosos "camisas negras" com a sua detestável apatia pelos imigrantes, sem nada a me acrescentar, ou retirando todo a minha vã esperança se tivesse que fugir para a Itália em tempos de crises existenciais...

Posso ter me dirigido aos sebastianistas - me ensinaram a cultivar a fé mediocrizada pelo desespero, esperando por algo que não vem, que não chegou... Que não virá, mesmo depois de tantas anos...

Veio a minha memória, a lembranças dos críticos, sim, por que não? Por que não poderia ter gritado a eles, com sua péssima mania de saber receita para todo mundo, por que não conseguiram a receita certa de evoluírem e evaporarem da face da terra? A verdade que não resolve os problemas do mundo; a verdade que não resolveu o problema de meu ego...

Meus amigos? Seria o grito para eles? Não. Um não incisivo e consciente. Meus amigos são poucos, tão poucos que não conseguiria pendurá-los nas pontas dos dedos de uma mão inteira, mas sei, quem com apenas um par de mão, me ajudou a levantar, segurando em minhas duas mãos.

Meus inimigos? Ah! nem sei se os tenho; quantas vezes pensei em selecioná-los em uma lista para ver por onde começava a minha vingança insignificante, e nada encontrei... Se não tenho tantos amigos, está quase em paridade, também não cultivei grandes inimigos a ponto de tê-los merecendo o meu ódio, um sentimento quase divino que mata apenas a mim mesma.

Poderia estar gritando ao meu intimo, quantas vezes fui desleal para comigo, com a minha capacidade de autozelo... não cuidei de mim o necessário a ponto de me preservar de sentimentos vis e insuficientes para acordar num dia como a esse, e dizer, obrigada pelo necessário que tenho para ser feliz...

Após uma passada de olhos analítica nos sentimentos, levantei, abri a janela, olhei o dia, ouvi os passarinhos, senti meu coração, e deixei o dia fruir naturalmente como algo necessário que necessita disso para existir.

Texto e criação de Adriana Vargas de Aguiar, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria.

4 comentários:

Mariana Mello Sgambato disse...

Dá para se identificar bem com esse texto...!

Matheus Gaudard disse...

Muito boa a leitura que fiz, faz a gente repensar em certos assuntos da nossa própria vida.
Abraços!
http://www.matheusgaudard.com.br/

Rubens Conedera disse...

Belo texto de Adriana. Nos faz pensar muito...

Cidinha disse...

Olá, Adriana. Interessante o texto! Uma boa rereflexção no nossso dia a dia. Bjos e ótimo fim de semana!

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