quinta-feira, 19 de abril de 2012

Escrevinhar você...





Se todos os "enfins" se resumissem em escrever, eu diria. Escrever para mim é um modo que encontrei para sobreviver sem você. Tenho necessidade plena de cortar o meu ambiente em pedaços digeríveis. Escrever tornou-se a extensão de meus sentidos que me permite aprender, compreender e aceitar, à medida que consigo, integrando os fatos, fora de minha ode.
Preciso escrever do mesmo modo que o cego, por trás dos óculos escuros, precisa enxergar. Escrever logo se transforma na exteriorização do meu aprisionamento.
A minha escrita ricocheteia nas paredes. 
O labirinto de palavras que se tornam aladas, como sentenças, os ramais que são circuitos fechados e não apresentam saídas, constituem os muros do meu confinamento.
Escrevo o meu próprio castelo e ele se transforma numa descoberta assustadora, de repente, me vi totalmente rendida, refém de alguém, sem ao menos poder gritar. É perturbador, algo incrustado muito fundo em mim. Quando você, através dos seus rabiscos, constrói a realidade em seu próprio espelho, posso me ver, mesmo que a miúde, como o seu segredo. Neste espelho você escreve pelo poro, o seu próprio rosto e não gosta do que vê, não o reconhece - quem sou eu? Onde eu estava e quem eu era antes de lhe conhecer?Também feria a sua vida em algum momento desta estrada. Ah que bom!

Se amordaçarem a minha boca e nenhuma palavra se traduzir, a não ser através do sentimento; se amarrarem os meus braços, se eu perder o movimento e a força; se minhas pernas estiverem atadas e eu não puder mais correr, ou ao menos caminhar em busca do meu sonho; se tirarem meu coração e ele não puder mais pulsar e nem sequer, num último suspiro eu   clamar, sem poder ser ouvida, sei que renascerei, se enfim, estiver escrito o meu sonho em algum lugar, se alguma página mesmo que amarelada, um dia for lida por alguém, por um filho, um neto ou  um leitor que ainda não nasceu.
Sei apenas que preciso seguir em frente, com a única certeza - a de que apenas preciso prosseguir.
Não sei viver e nem morrer se não for do mesmo modo – escrevinhando você...


Adriana Vargas


Texto e criação do autor, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria.

5 comentários:

Anônimo disse...

Gostei :)))

Beijocas, Blanc

Rubens Conedera disse...

Lindo demais, sincero e puro. Adorei seu texto, Adriana!!

J.C.Hesse disse...

Lindo texto! É o encontro da dor e do dom!
Abraços,
J.C.Hesse

Ahtange disse...

Lindo e profundo, expressa bem o sentir...
Parabéns!

Fabiana Cardoso disse...

Lindo como sempre, mostrando a necessidade que uma escritora tem de passar suas ideias para o papel!

abraços Fabi

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